12/06/2006

Coluna animal

São realmente profundos os ditos populares. Um de meus preferidos é: "assim como são os seres, são as criaturas"... Inebriada por tanta sabedoria, consegui enxergar a semelhança entre Cicarellis, Jolies e os ilustres mamíferos abaixo, que também foram notícia esses dias...


Tadinho

Míope, confinado e solitário. É mesmo triste a sorte do pobre urso de óculos que é o único solteiro, entre as 460 espécies que habitam o zoo de João Pessoa. O pior é que todos os compatriotas do bichinho são seus parentes e vocês sabem como é "primo com primo"...


Feliz da vida

Por outro lado, quem anda muito satisfeita na Bica é a anta. Dizem que ela está quase casada e só falta terminar as reformas do lar para receber o felizardo que, inclusive já foi escolhido pelo Ibama.


Pesar

Muito comovente foi o último adeus dado por uma égua do Pantanal a seu filhote morto, o potrinho Tarumã. A cena foi mostrada no Globo Rural do último domingo. C'est la vie!


Mimi

Enquanto isso, uma trama poderosa repleta de mentiras, sexo e traição se esconde por trás da história da gatinha Mimi, felina sulista suspeita de parir cachorrinhos. Segundo sua dona, os bichos seriam fruto de um cruzamento entre um cão da vizinhança e a gata. A genética, por sua vez, provou que os filhotinhos são cachorros genuínos e, assim sendo, jamais poderiam entrar no ventre de uma gata - haja vista a impossibilidade anatômica de se haver uma rapidinha entre caninos e felinos - que dirá sair... "É a palavra da dona contra a da ciência", diz a notícia. E Mimi?


10/30/2006

A saga de um Zé

Como terá sido a noite de José Antônio dos Santos?
É o que venho me perguntando desde as 21h de ontem, quando saiu o resultado final das eleições para governador, aqui na Pindaíba. Me explicando melhor, trago ao caríssimo incógnito a figura de Tonho. Campinense, porém trezeano, ele retornou à cidade natal no último fim de semana para exercer seu soberano direito-dever de votar em uma das alternativas "eu-não-sei-o-que-é-pior" e, por acaso, levar uma surra.
Veja abaixo uma síntese do quase monólogo que tivemos ontem nas poltronas 13 e 14 do ônibus da Real:

-Dona, se eu contar uma coisa a sinhora me acredita?

-Diga...

-Pois ontem (sábado), eu vinha voltando pra casa de minha mãe no "Zepa", pela Floriano Peixoto, pertinho da catredal. Tava com minha bandeirinha vermelha na mão, quando vi um negão de amarelo, gritando do outro lado: - ei, moreno! venha cá!!

- (...)

- Eu atravessei duas rua pra saber o que ele queria. Pois ele num me deu uma tapa nos peito, dona... Eu também num tive demora, corri, peguei um pedaço de pau e danei logo uma "nos pinhaço" dele e outra perto da nuca, que chega sangrou...

- (...)

- Depois eu fiz carreira. E o negão atrás. Aí o policial me alcançou e perguntou o que eu tinha feito. Eu disse e ele deu umas porrada em mim, outras no negão. Fui-me embora.

- Nossa!

- Agora esse macho deve ter aprendido que um home num pode desafiar outro, dona. E, se Deus quiser, eu vou hoje pro Cabo Branco festejar a vitória de Zé Maranhão que esses amarelo são uns parasita. Nóis tem que derrubar eles!

Como terá sido a noite desse Zé?

P.S: Mote emprestado de Glauco Matoso para os próximos quatro anos de governo estadual: "Quem mandou pisar na bosta? Agora limpa a sujeira!"

9/06/2006

Apocalíptica

Provincianismo, fogueira das vaidades e conveniências...
O cheirinho de traça do jornalismo praticado pelas mentes dispensantes de alguns periódicos me lembra o Balzac que conheci através dos sebos:

"Todo jornal é, como disse Blondet, uma loja onde se vende ao público palavras da cor que se deseja. Se houvesse um jornal dos corcundas, haveria de provar, noite e dia, a bondade, a necessidade dos corcundas. Um jornal não é feito para esclarecer, mas para lisonjear as opiniões. Desse modo, todos os jornais serão, dentro de algum tempo, covardes, hipócritas, infames, mentirosos, assassinos. Matarão as idéias, os sistemas, os homens e, por isso mesmo, hão de tornar-se florescentes. Terão a vantagem de todos os seres pensantes: o mal será feito sem que ninguém seja culpado.”

P.S: Melhor não citar mais nada.
P.S2: Vejam que coisa: tirei meu blog do orkut para preservar minha liberdade de expressão...
P.S3: "Eu lhe dei vinte mil réis pra pagar três e trezentos, você tem que me voltar dezesseis e setecentos. - É dezesseis e setecentos!"

8/07/2006

basta pensar em sentir

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.
Viver é não conseguir.

(Fernando Pessoa)

7/22/2006

Sobre políticos e cachorros

Até algum tempo atrás, cada cachorro de minha prima Luciana recebia o nome do prefeito em exercício de sua cidade natal. A reflexão "político-cachorro" talvez nem fosse cogitada por Lu, pelo contrário, acho que era mesmo uma homenagem. Lembro-me bem do vira-latas Maciel, que foi sucedido por outro chamado Tião, e de outros "Tiões" e "Maciéis" que vieram depois, conforme a alternância dos mandatos auferidos por ambos.
Agora, por algum motivo, a prima não busca mais os nomes de seus caninos entre os chefes do Executivo municipal. Descobriu o futebol. Gamarra e Vampeta, por exemplo, nasceram na Copa de 2002 e foram ótimos cachorros.

7/17/2006

Desabafo

Como as relações seriam mais reais e leves se todo mundo chegasse a conclusão de que não é necessário ficar o tempo todo tentando demonstrar sapiência. Coisa mais chata! Alguém precisa dizer aos pseudo-intelectuais, essas espécies difusoras de elocuções profundas e preconceitos - no sentido mais literal possível do vocábulo, que eles não precisam ficar constantemente mostrando que têm "conteúdo". Pelo contrário, as pessoas mais medíocres que conheci nos últimos 24 anos, foram as que sempre tinham uma resposta premeditadamente enigmática para os questionamentos mais simples.
Que saco!!!

6/27/2006

Não mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas

(Hit parade of my head: "Woman is the nigger of the world... yes, she is..." - Versão Cássia Eller)

Não sei se ao terminar de redigir o que tenho mente teremos aqui mais uma historieta piegas e clichê. Aliás, não estou nem aí para isso, afinal essa é a parte que me cabe neste latifúndio virtual e não posso deixar essa terrinha improdutiva - vai que o blogger cisma e me desapropria, oferecendo essa linda tela verde a um "sem-blog" qualquer. Sendo assim, passemos ao parágrafo seguinte e, consequentemente, ao que interessa.
"Garotos gostam de mulheres bonitas e bem-sucedidas", dizia a propaganda de não sei o quê em um outdoor que vi hoje cedo, quando me dirigia ao trabalho. Antes de refletir sobre as verdades e mentiras desse discurso, estrategicamente localizado em uma via de grande movimento, olhei através da janela do ônibus e vi uma daquelas cenas triviais: duas crianças pequenas, tocando os rostos e sorrindo. Um menino e uma menina, por coincidência.
A moral da história é bem explícita para o médio entendedor. Enquanto isso, as meninas grandes do meu Brasil varonil se esforçam para ser esse misto de Afrodite e Atena e agradar os heróis e amantes de nossas Atenas tupiniquins.